Quem dançará?

21 out

Lucas Alvarenga – O Ronco da Cuíca

Enquanto José Serra (PSDB) tenta recuperar seu prestígio para seguir sonhando com a presidência, Eduardo Campos (PSB) e tucano Aécio Neves acenam para uma possível dobradinha. Crédito: Fábio Pozzebom/ ABr

A ida do desembargador aposentado José Paulo Bisol do PSDB (Partido Social Democrata Brasileiro) para o PSB (Partido Socialista Brasileiro) inaugurou um capítulo histórico no folhetim político nacional. Um dos fundadores da legenda tucana em 1988, o gaúcho Bisol chegou ao núcleo socialista para ser, em 1989, vice na chapa do candidato à presidência da República pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, a dobradinha vem se apresentando com alternativa de esquerda ao país. Eis que nos três últimos pleitos – dois municipais e um estadual e nacional – o então primo fiel ao PT se aprumou e bateu asas com olhos em 2014 e 2018.

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Feminino e epidérmico

1 abr

Lucas Alvarenga – O Ronco da Cuíca

O andar seguro de quem vai à conquista e o sorriso faceiro da cantante compõem a cena de abertura de um enlace com data, hora e local marcados: dia 31 de março de 2012, às 21h, no Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Enquanto uma parcela do público ainda se ajeitava cada qual em seu canto, o arranjo denunciava a escolhida para romper o silêncio. Era Bem a sós, de Rubinho Jacobina. E como se dissesse os primeiros versos – “Se tem muita gente/ É tanto melhor pra nós/ Quando a coisa é quente/ Já estamos bem a sós” – a cada espectador presente, a potiguar Roberta Sá imprimiu na entrada do show a estética de seu novo trabalho, ‘Segunda Pele’.

Quarto álbum de estúdio da melhor intérprete da MPB, eleita pelo ‘Prêmio da Música Brasileira’ de 2012, o disco apresenta uma nova Roberta. Ainda mais madura, leve e feminina, a cantora se envereda por toda a música brasileira segura de que o seu nego, o samba – expresso no CD por O nego e eu, de João Cavalcanti – é apenas um entre os muitos gêneros que cabem à sua voz. ‘Segunda Pele’ sussurra com a bossa nova Você não poderia surgir agora, de Dudu Falcão, e faz a plateia se divertir ao som do maxixe A brincadeira, de Moreno Veloso, Quito Ribeiro e Domenico Lancellotti.

A reflexiva Altos e Baixos, canção de Yuri e Lula Queiroga, apresentada ontem por Roberta Sá, no Palácio das Artes.

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O xeque-mate de Kassab ao estilo MPB

25 jan

Lucas Alvarenga – O Ronco da Cuíca

Gilberto Kassab/ Olga Vlahou

Foi 2012 começar para Kassab tentar o xeque-mate: uma aliança entre PT e PSD para a prefeitura de São Paulo. Crédito: Olga Vlahou.

Que me perdoe Chico Buarque, mas o cenário político brasileiro bem que se parece com Folhetim. A atribuição, embora nada romântica, tem sua síntese na iniciativa do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ao fundar o PSD. Oposição dita consciente, a legenda social democrata agrada a vermelhos e tucanos.

Sem rigor ideológico, o novo ‘centrão’ socializa amores entre José Serra e Dilma Rousseff ao passo que liberaliza o voto de acordo com a situação. Sedutor, o partido promete ao estilo MPB: “(…) eu te farei as vontades/ Direi meias verdades/ Sempre à meia luz/ E te farei, vaidoso, supor/ Que é o maior e que me possuis”.

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A seleção do “urubu malandro”

14 jan

Lucas Alvarenga – O Ronco da Cuíca

As cinco estrelas ao fundo de Mano Menezes já não impõem o mesmo respeito de antes. Crédito: Ricardo Stuckert/ CBF

Depois da derrota do Santos por 4 a 0 para o envolvente Barcelona, parte considerável da crônica esportiva brasileira caiu na real mais uma vez após sucessivos fracassos do futebol canarinho. A eliminação dos selecionáveis do Brasil na Copa América frente ao Paraguai, com nenhum gol marcado na decisão de pênaltis, é só uma das decepções. Há algum tempo, o combinado verde amarelo caiu pelas tabelas e incorporou o tal Urubu Malandro, descrito por Louro de Carvalho e João de Barro, o Braguinha.

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Adoniran, o conhecedor de sambas e dilúvios

5 jan

Lucas Alvarenga – O Ronco da Cuíca

Chuvas em Ouro Preto

Chuvas na tricentenária Ouro Preto causaram danos até a rodoviária da cidade. Crédito: Wellington Pedro/ Imprensa MG.

Pedir paciência enquanto a água alcança a altura dos joelhos, inunda quartos, umedece paredes e arruina casas é cômodo para quem depois das eleições se esquece daquele que garantiu seu confortável assento. É a primavera se encerrar para que as cenas de outros temporais sejam rememoradas. Que as águas de março, cantadas por Tom Jobim, logo levem o verão para que o estrago causado pelo modo de vida contemporâneo e pela negligência pública não atinja proporções arrasadoras como aquelas de 2011.

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“Agora o pobre já pode comer”

2 jan

Lucas Alvarenga – O Ronco da Cuíca

O que faz o povo abraçar este homem? Neste artigo, um dos motivos se evidencia. Créditos: Renato Araújo/ ABr.

O período é outro, mas a canção quase se encaixa como uma luva em mãos delicadas. Desde a chegada dos petistas no governo federal, o salário mínimo variou 311% em comparação ao último reajuste dos tempos de FHC. Neste domingo, primeiro dia de 2012, um novo teto entrou em vigor e fez da música Ministério da Economia, uma homenagem do mineiro Geraldo Pereira para o gaúcho Getúlio Vargas, o “pai do mínimo”, contemporânea. Mesmo se levarmos em conta a inflação do período, é possível perceber que aquilo que o “povo queria” do Ministério da Economia, parece que vai se resolvendo, no gerúndio mesmo.

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Encantado em cada um de nós

31 dez

Lucas Alvarenga – O Ronco da Cuíca

Ao violão, o Mestre de toda uma geração de músicos mineiros e autor de cerca de 1000 canções. Crédito: Lucas Alvarenga.

Quando os anjos se encontram, não há tormenta que perdure nos ceús por muito tempo. Também pudera. Ouvi ainda pequenino que um corpo celeste ao se deparar com uma alma angelical não fala, canta. Assim, ele extrapola os limites da verbalização ao provocar sensações. Com o tempo aprendi que os anjos se comunicam por música. Por isso, imagino-os em uma grande roda a reiniciar um ciclo findo na Terra. Ontem (dia 30), porém, tive certeza de que haverá uma roda nos céus. No repertório, as canções de um anjo com codinome de mestre que pude conhecer nos sambas da capital mineira: Jonas Henrique, o Mestre Jonas.

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